A semana foi muito corrida e confesso que quase não tive tempo para pensar no blog. Mentalmente, eu tinha uma relação de coisas sobre as quais queria escrever, mas estavam faltando elementos para compor as análises. Foi então que, ontem à noite, assisti a uma entrevista da Lady Gaga na CNN e resolvi que falaria sobre ela hoje.

Primeiro ponto: eu não gosto de música pop. Pelo menos não desse pop super hiper mega comercial. Minha birra com a música pop advém do fato de que a gigantesca maioria dos artistas que fazem esse tipo de música são produtos muito padronizados da decadente indústria musical – o mainstream. Isso me incomoda demais, porque gosto de ver num artista ou numa música algo que soe diferente, original ou, no mínimo, interessante.

Segundo ponto: apesar de não gostar de pop, não vi motivo para deixar de escrever sobre o assunto. Na verdade, é sempre um desafio escrever sobre algo que não se gosta, mesmo que eu não me preocupe com a imparcialidade. Considero a imparcialidade uma utopia hipócrita. A questão é que acho possível escrever um bom texto sem que ele seja imparcial. A questão é ter elementos e bons argumentos. That’s it.

Gaga no aeroporto: moça de família

No aeroporto: moça de família (clique p/ ampliar)

Para começar a análise, o que se pode diser de Lady Gaga? Bom, ela tem 23 anos, é nova iorquina e sabe chamar a atenção. Disso não resta dúvida. Também posso dizer que ela segue a mesma linha mega hiper super produzida de artistas como Justin Timberlake, Britney Spears e Christina Aguilera. Mas pelo menos ela escreve suas próprias músicas. Inclusive, Stefani Joanne Angelina Germanotta (cujo nome artístico foi inspirado na música Radio Ga Ga, do Queen), antes mesmo de se tornar Lady Gaga, já compunha para artistas da gravadora Interscope, como as Pussycat Dols e a própria Britney Spears.

A anta do Kanie West disse em seu blog que Lady Gaga é a nova Madonna. O cara exagerou e feio. A tia Madonna está longe de ter uma “nova ela”.

Sobre à entrevista à CNN, fiquei com a nítida impressão de que Gaga é uma chata. Um porre. Um pé no saco. Desdenhou o tempo todo da entrevista e da entrevistadora, respondia de forma vaga às perguntas da repórter, olhava para cima, para os lados. Como diria um colega gay, um nojo só.

Minha primeira tarefa depois de assistir à entrevista foi ouvir o álbum The Fame, debut da moça lançado esse ano (e com cinco meses de atraso no Brasil). Tarefa feita, vamos a um faixa a faixa:

Lady Gaga The Fame

Lady Gaga The Fame (clique p/ ampliar)

01) Just Dance = O álbum abre com seu primeiro single. Parceria com o Akon num R&B. Ninguém na gravadora é besta, né? Então iniciam o disco com um negão de sucesso. Just Dance segue bem a linha recente de músicas do próprio Akon e de gente como Pink e até mesmo Sean Kingston. Batidinha legal, refrãozinho grudento. Típico pop. Nada demais.

02) Lovegame = Mais do mesmo. Tipo Britney e Aguilera. Pode pular a faixa que não vai fazer falta.

03) Paparazzi = Essa me lembrou aqueles eurodances dos anos 90. Música para tocar em festinha da galera quando tá todo mundo bebendo e batendo papo: não compromete a conversa e cria um clima, sacas?

04) Beautiful Dirty Rich = Ela flertou legal com o R&B nessa canção. A letra é bem bestinha. Mas acho que é de próposito. Ela deve estar zoando com os rappers milionários, que adoram fazer músicas dizendo o quanto são fodões, comedores, ricos e picas grossas. Ou não.

05) Eh Eh (Nothing Else I Can Say) = Mais uma muito parecida com aqueles eurodances dos anos 90. Lembra do La Bouche? E do Whigfield? É por aí.

06) Poker Face = Essa não pára de tocar na rádios, programas de TV, zonas, etc. É um dos hits do momento. Mais eurodance. A mulher fez um revival mesmo, porque a canção me remeteu ao Playahitty, ao Real McCoy, essas coisas. Mas eu gostei. É grudenta, dançante e tal. Se tocar numa festa e eu já tiver tomado mais de dez latinhas ou mais de cinco copos de uísque, eu danço. Na boa.

07) The Fame = Faixa que dá título ao álbum. Bem fraquinha. A letra é uma mistura de rap do 50 Cent e aquelas antigas da Madonna (tipo Material Girl). Tem uns riffzinhos de guitarra bem dançantes. Mas é só.

08) Money Honey = Mais do mesmo. É bem chatinha. Pulei de faixa na hora.

09) Again Again = Aqui ela tenta mostrar mais sua voz. Baladinha com ar de trilha de novela, tipo aquela música que toca na cena em que o casalsinho descobre que tá apaixonado e vai se beijar. Mas também parece musica de streap tease. Pode?

10) Boys Boys Boys = Bestinha. Bem bestinha. É a versão feminina do 50 Cent, sacas?

11) Brown Eyes = Mais uma baladinha. Não compromete. Dá para ouvir numa boa sem se irritar muito. Parece coisa dos anos 80.

12) Summerboy = A linha de baixo dessa música é legal. O vocal dela parece o da Gwen Stefany. Tem palminhas. E palminhas são sempre um recurso poderoso em música (vide 12:51 dos Strokes).

13) I Like It Rough = O álbum termina com mais uma eurodance. Musiquinha morna. Nada demais, mas não chega a ser ruim.